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P!nk's Biografia - Especial Funhouse

P!nk's Biografia - Especial Funhouse

FUNHOUSE
P!nk nunca teve medo de dizer o que pensava, de abrir a sua alma e de dividir com todos os seus sentimentos mais profundos nas suas músicas. Como ela mesma diz: “Não tenho escolha. É isso que eu faço”. De facto, é o que P!nk faz. E os seus 23 milhões de discos vendidos, dois prêmios Grammy, cinco prêmios do Video Music Awards, da MTV e oito músicas entre as dez mais tocadas são provas de que a valentona tatuada com coração depeluche faz muito bem aquilo que se propõe. Com o seu quinto disco de estúdio, “Funhouse”, P!nk se mostra ainda mais pessoal, mais exposta e mais reveladora.

“É o meu disco mais vulnerável até hoje”, diz P!nk, aos 29 anos, sem o menor problema em revelar que a separação do seu marido, o astro de motocross Carey Hart, no início de 2008, é o assunto de algumas das canções de “Funhouse”. “No meu primeiro disco, “Can’t take me home” (2000), eu estava f*****, e isso causou-me uma catarse. “M!ssubtaztood” (2001) foi muito pessoal e ainda mais catártico. Lembro-me de falar da música “Family Portrait” (“Retrato de Família”) em entrevistas e começar a chorar. Cada disco foi ficando mais profundo do que o anterior. Em dois anos eu provavelmente terei resolvido todas as minhas questões”, filosofa.

Por enquanto, uma questão que P!nk ainda está tentando resolver é o coração partido. “Um coração partido é um filho da p***’ é o nome que eu queria ter dado ao disco, originalmente”, ri a cantora. “Mas o disco não trata só disso. Não é apenas um disco de separação. Tem muito isso, mas também há muita diversão, motivo lhe dei o nome de ‘Funhouse’ (‘Casa da Diversão’)”.
P!nk admite que se sentiu tão assustada quanto animada ao atingir novos níveis de vulnerabilidade em músicas como “Please Don’t Leave Me”, uma canção de amor dolorosamente sincera, disfarçada por um instrumental animado e feliz, com da da da da para se cantar junto no fundo, e “I Don’t Believe You”, uma balada de cortar o coração, com a voz crua de P!nk sobre piano e cordas, simplesmente (as duas músicas foram compostas por ela em parceria com Max Martin).

“É como tirar a armadura e admitir que sou humana. Sou uma mulher. Todas nós queremos ser amadas e amar. É tudo o que queremos”, explica ela. “`Please Don’t Leave Me’ também tem um lado engraçado. É tipo ‘sou uma porcaria, mas ainda assim ame-me”. Estou tentando melhorar. Somos todas obras em construção. E ‘I Don’t believe You’ é uma das minhas preferidas, porque estou tão nua ali... É como respirar fundo e dizer: ‘Estou aqui. Leve-me. Dê o seu melhor’. ‘Mean’ é uma música country-Aerosmith que pergunta: ‘Como ficámos tão maus?’. Tudo começa tão bom... ‘Quando perdemos o rumo? Como foi que tu antes me seguravas a porta e agora estou a mandar-te à cara?’”.

P!nk também não sofre para abordar a questão da separação no primeiro single, a contagiante pop-roqueira “So what”, que chegou ao primeiro lugar no top da revista americana Billboard em 18 de setembro de 2008, dando à cantora seu primeiro status de campeã. (Ela já tinha ficado no topo ao lado de Christina Aguilera, Lil’ Kim e Mya em “Lady Marmalade”, de 2001, da banda sonora do filme “Moulin Rouge”.

Em “So What”, P!nk desce ao mundo real mais uma vez, mas agora a mensagem está repleta de seu humor típico, como se vê em versos tão engraçados e sinceros como “I guess I just lost my husband/I don’t know where he went/So I’m gonna drink my money/I’m not gonna pay his rent”. (“Parece que acabei de perder meu marido/ Não sei onde ele foi/ Então, vou beber meu dinheiro/Não vou pagar a renda dele”). A presença de seu ex, Carey Hart, no clipe dirigido por Dave Meyers, provocou uma reacção confusa à mensagem da letra. “Primeiro fiquei incomodada, porque todos diziam: ‘Peraí, a separação não era amigável? Agora estás a mandar o gajo abaixo? Que p*** é essa? Que hipocrisia!’. Mas assim que todos viram o clip e viram que Carey está lá, todos calaram a boca. Foi lindo”, explica P!nk, que também compôs a canção com Martin. “Carey não tinha ouvido a música quando gravou o clipe. Ele me ama e confia em mim o suficiente. Ele olha para o alto, joga as mãos para o alto e abraça-me. Ele entende-me. É muito bom.”

Apesar de ter aumentado os seus horizontes emocionais e musicais nesta nova colecção, P!nk está mais orgulhosa da balada acústica “Crystal Ball”, composta com Billy Mann, do que de qualquer outra faixa do disco. Mann trabalhou com ela em sucessos como “Stupid Girls”, “Dear Mr. President” e “I’m Not Dead”, entre outras. “Fico orgulhosa da composição, da melodia e dos vocais nessa canção”, diz ela. “Gravei tudo em um único take e não a mixamos. Foi directo para o CD. O importante era o clima, não a perfeição ou aparar arestas. Adoro essa música e adorei gravá-la. Billy e eu entrámos numa sala, acendemos algumas velas, bebemos vinho, e fomos em frente”.

Há outras músicas reveladoras, como “It’s All Your Fault”, em que ela diz: “Penso na idéia de partir mas provavelmente até isso eu faria mal”. Em “Glitter in the Air”, P!nk faz perguntas como “Tu já olhaste na cara do medo e disseste ‘não estou nem aí’?” e “Já te odiaste por ficar a olhar para o telefone?”. P!nk admite que ainda não sabe responder algumas das perguntas que faz no disco. “Ainda estou trabalhando nisso”.
Mas, como ela mesma diz, “Funhouse” não é apenas um disco sobre separação. “Bad Influence”, composta com Billy Mann e Butch Walker é um rock de menina retro, alegre, de quem não pede desculpas por chutar o balde com as amigas de vez em quando. “Estou nessa com os hindus”, ri P!nk. “O prazer pelo prazer não é pecado”. “Sober” é mais uma música que não tem nada de separação. É uma canção soturna, com cordas, sobre uma pessoa que gostaria de ser destemida e perder as suas inibições sem que para isso tivesse que ter um vício.
A bluesy “One Foot Wrong” é sobre uma viagem de ácido que corre mal. “Já fiz muitas loucuras”, diz P!nk. “Ácido é a pior das drogas. Não tomem. Mas essa música também fala de perder o controlo e de como é fácil perder o rumo na vida e ficar balançando no precipício”. Enquanto isso, “Ave Mary A” fala do mundo e de questões sociais, pedindo ajuda para escapar do “caos à minha volta” e lidando com um “mundo que enlouqueceu”.

Quanto ao nome, “Funhouse”, P!nk explica: “Vejo a vida como um parque de diversões. Palhaços são supostamente engraçados, mas são assustadores. De qualquer maneira, nós vamos lá e compramos algodão doce e forçamos e riso e entramos em brinquedos em que nos prendemos e vamos em frente. A vida é assim para mim, e o amor também. O amor deveria ser divertido, mas às vezes ele também pode assustar. E os espelhos do parque que te fazem ver de maneira tão distorcida que não te reconheces, e perguntas-te: ‘Como vim parar aqui? Como saio daqui?’. Mesmo assim, queres fazer aquilo de novo. É o mesmo que acontece com o amor e a vida. É uma metáfora para o amor e a vida”.

A faixa-título é um rock com um refrão daqueles de socar o ar, “This used to be our funhouse/ But now it’s full of evil clowns/ It’s time to start the countdown/I’m gonna burn it down” (“Essa era a nossa casa da diversão/ Mas agora ela está cheia de palhaços do mal/ Está na hora de começar a contagem regressiva/ Vou queimá-la até o chão”). “A música fala de quando tu não cabes mais na tua caixa; é hora de queimar aquela p**** e começar a construir outra”, diz P!ink. “Foi a primeira música que fiz com Tony Kanal, dos No Doubt, e seu parceiro de composição, Jimmy Harry. Apaixonei-me pelo trabalho com eles. Compusemos músicas muito boas juntos, “Funhouse” e “Sober”.

P!ink saiu da sua zona de conforto ao gravar “Funhouse”, trabalhando longe dos seus lugares do costume, Los Angeles e Nova York. Ela gravou “One Foot Wrong”, um rock lento, bluesy, que mostra o lado mais pessoal de seus talentos vocais, com o músico/compositor/produtor inglês Eg White (Francis Anthony “Eg” White, que já trabalhou em discos campeões de cantoras inglesas Duffy e Adele) no seu estúdio caseiro, em Londres. E ela ainda foi para Estocolmo, na Suécia, para trabalhar com Max Martin, que já tinha composto com ela os sucessos “Who Knew,” “U + Ur Hand,” e “Cuz I Can”, do disco I’m Not Dead, de 2006. “Foi muito bom sair da minha casa e me afastar da minha vida. Sem distracções, sem telefone”, diz P!nk sobre a sua experiência transatlântica. “Foi primeira vez em que trabalhei com Eg White, e eu simplesmente o adoro. Ele é excêntrico, barulhento e sensacional. Trabalhamos no seu porão, enquanto a mulher dele fazia o jantar, com os três bebés deles, adorei. Foi muito inspirador e uma bela mudança de ares – pessoas diferentes, energia diferente”.

Com esta mistura de músicas tristes e reflexivas com hinos roqueiros divertidos, vibrantes, P!nk chegou exactamente onde queria com “Funhouse”. “É óptimo não apenas emocionar e fazer as pessoas transpirarem tanta energia, mas também deixá-las furiosas e motivadas. É uma terapia de grupo”.